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NAZARÉ- GUIMARÃES

2.04.2012 - Etapa_1

Habilitar a autocaravana, montar a moto-estrela e zarpar direcção a Guimarães. Pela via rápida ,para se chegar antes da meia-noite.

Área de serviços de Vagos, paragem técnica para jantar , uma kiche de petinga de conserva com bróculos, uma especialidade Pé-de-vento, cada vez mais exótica, que justificaram duas super-bocks sem álcool e com limão ,fresquíssimas,…maravilha! Sobremesacom dois pedaços de torta e meia dúzia de amêndoas. Café longo, na área de serviço, uma volta a pé a esticar a digestão e volta à estrada, em mais um Não-Lugar.

Nova paragem técnica à saída do Porto, mas desta vez para alimentar o estômago da autocaravana e o da moto-estrela, ambas refeições bem mais caras estas!

Faltava meia-hora para as zero, atracámos com as coordenadas certas no parque com o Castelo do Rei em vista e meia dúzia de companheiros que já por lá estavam,…boa noite e boa noite, que nunca se sabe quem é o cigano.

Hora de montar a parabólica, ligar o computador ver e ler notícias e,…..a hora de dormir virá mais tarde.


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De Zaragoza a Trujillo

03.01.09 _ Dia_10

Noite sossegada e sem história em Zaragosa, no parque empresarial. Depois havia que prosseguir viagem, a agenda de trabalho aproxima-se!
O Vento soprava ainda uma passagem por Catalayud, cidade silenciosa como lhe gosta de chamar,… tantas vezes vista ao longe e de passagem a partir da auto-estrada, envolta em quietude, nesse quase deserto que é o caminho Zaragoza- Madrid e vice-versa. Tudo um imenso não lugar.





E Catalyud adentro, continua a parecer um “não lugar”, sem gente, sem vida, com ruas vazias e prédios silenciosos, …. estranho, mas está a acontecer mesmo uma cidade fantasma, talvez adormecida pela siesta espanhola. Muito dormem os espanhóis.



















Não se vê vivalma e as estátuas ganham nesta altura um protagonismo acrescido.





Vamos embora para não acordarmos esta gente, dormem indiferentes à crise ou até por causa dela, sabe-se lá...





Novamente na estrada, com paragem para almoço num restaurante de beira de estrada onde se comeram umas deliciosas tiras de polvo,...e continuar a viajar até à meia-noite.




















Vamos pernoitar aqui, por baixo das cegonhas de Trujillo que vamos conhecer amanhã,.. a expectativa é grande.

Não-Lugares, a caminho de Carcassonne

26.12.08 _ Dia 2

Saída de Burgos, direcção a Vitória-Gastez e desta para Irun,...um caminho de auto-estrada que não gostamos de fazer, o trânsito é muito, os caminhons muitos e pesados, normalmente chove e a visibilidade é muito deficiente,...um lugar a evitar ou um não-lugar...

Os não-lugares é um conceito proposto por Marc Augé, antropólogo francês, para designar um espaço de passagem incapaz de dar forma a qualquer tipo de identidade.

Para fundamentar este novo conceito, Marc Augé começa por discutir a capacidade da antropologia, tal como a conhecemos, em analisar e interpretar a sociedade actual.

Decide por isso construir a noção de sobremodernidade que se diferencia da pósmodernidade, na medida em que esta última é «concebida como a adição arbitrária de traços aleatórios» ao passo que a sobremodernidade releva de 3 figuras de excesso:

a) excesso de tempo por efeito da aceleração da história em que tudo se tornou acontecimento e que, por haver tantos acontecimentos, já nada é acontecimento. Por isso, organizar o mundo a partir da categoria tempo deixou de fazer sentido.

b) Excesso de espaço por efeito da mobilidade de pessoas, bens, informações, imagens, o planeta se ter encolhido, e sentirmo-nos implicados em tudo, mesmo nos lugares mais remotos.

c) Excesso de individualismo por efeito do enfraquecimento das referências colectivas, e porque as singularidades ( dos objectos, grupos) organizam cada vez mais a nossa relação com o mundo.

Auge define o lugar, enquanto espaço antropológico, como um espaço identitário, relacional e histórico.O não-lugar será então um lugar que não é relacional, não é identitário e não histórico.

As auto-estradas, os aeroportos, as grande superfícies são exemplos de não-lugares.



Mas também «campos de refugiados, campos de trânsito, grandes espaços antes concebidos para a promoção do mundo operário e tornados insensivelmente o espaço residual onde se encontram os sem abrigo e sem emprego de origens diversas: por toda aparte espaços inqualificáveis, em termos de lugar, acolhem, em princípio provisoriamente, aqueles que as necessidades do emprego, do desemprego, da miséria, da guerra ou da intolerância constrangem à expatriação à urbanização do pobre ou ao encarceramento»


( Marc Auge, in Le Sens des Autres,1994, pgs 169Os não-lugares são povoados de «viajantes» ou «passeantes» em trânsito.


São, 23.00Horas, acabámos de jantar numa área de serviço da auto-route Irun-Toulouse,...há pouca gente e pouco trânsito, um não-lugar sossegado, carros de matrícula francesa, poucos, com viajantes, jovens casais,afinal portugueses, a caminho de um não-lugar,...acelerados auto-route abaixo...

Cem kilómetros mais à frente, nova área se serviço,...um esticar de pernas, um cafézinho, um par de ténis "de luxo" por 15 €, os primeiros perfumes Lavande e outros viajantes, mais, muitos mais viajantes, portugueses de matrícula francesa,... como nós sairam de Portugal ontem , dia de Natal, mais, muitos mais viajantes de não-lugar, a caminho de um não-lugar...


Viajam, solitários, nesses espaços de ninguém. São não-lugares livres de identidades.No fundo, os não-lugares revelam uma nova forma de viver o mundo. Mas o retorno ao lugar pode ser o sonho dos que frequentam os não-lugares.



Triângulámos Toulouse e encurtamos 40 km ao destino : Carcassonne - onde entramos por volta das 03Horas da madrugada, a admirar as boas vindas da fantástica iluminação de Natal, como a dizer-nos que afinal, o lugar, é onde o Homem quiser... é onde sobrevive.

Ler:Augé,Marc (1994) Não-lugares: introdução a uma antropologia da modernidade, Lisboa, Bertrand editora


A pernoita na AS de Carcassonne, paredes-meias com a cidadela histórica, que visitaremos amanhã.

A Caminho da Côte D´Azur

25.12.08 _ Dia 1


Vai ser a prova de fogo à socialização autocaravanista por terras de França. Tanto temor, regras e dificuldades se anunciam por esses fóruns em português,...que saio pouco tranquilo!
O Mónaco, por oposição à Bretanha, a ver vamos.

As poucas AS´s e os poucos campings (muitas vezes, longe do objectivo) referenciados na base de dados da campingcar française também não ajudam nada a tranquilizar. Seja como fôr,...existirão sempre muitos hotéis, embora não me agrade nunca a ideia de a partir do meio-dia,repentinamente me trasnformar em persona não grata, ou simpáticamente pagar mais uma noite...outras experiencias.


Saímos então de casa, por volta das 16.00horas, rumo a Coimbra e à Campilusa, onde trocamos a botija de gás, reabastecemos de wc-químico e ali mesmo ao lado compramos a habitual dose de leitão à bairrada que nos há-de servir o jantar (e mais se verá), IP_3 acima e na área de serviço do IP_5 na Guarda, já passava das 22.00horas, sair o jantar quentinho e estaladiço acompanhado de um espumante tinto bruto das caves do mesmo nome,...fazia frio, um frio gostoso de ar puro do alto, onde gosto sempre de fazer uma caminhada de desentorpecimento das pernas e do nariz...


Noite limpida, céu estrelado e boa disposição,...até à fronteira é um saltinho. Pouco depois de Vilar Formoso Pé_de_Vento resolve que é chegada a hora de se estender ao comprido entre lençóis e descansar do trabalho das festividades natalícias, que a família é curta e pouco contributiva mas "exigente".


E lá fui eu, com uma noite e estrada convidativa, mais 400 km ao toque de rádio e com o barulho das luzes, numa marcha constante entre os 120 e 140 km/h até já depois de Burgos, na primeira área de serviço da autovia Basca ter encontrado, à direita, o poiso certo para me entregar ao descanso da noite, agora que a digestão estava feita e já não havia gasóleo para mais...eram cerca de 03 horas da madrugada.


E a noite soberba e fria!


Faço o primeiro ensaio geral da chaufagem, leio o livro de instruções e pouco depois, estou verdadeiramente encantado a dormir o sono dos justos.



De manhã,...em boa verdade já passava do meio-dia,.. a primeira grande surpresa da viajem: Travel Van está coberta de gelo e neve,...e que quentinho que é lá dentro,nem se dá por nada!



Hoje, é fazer caminho até Carcassone...

Lourdes/Nazaré - A Última Etapa

25 e 26.08.08 - Dia_22 e 23

Viagem que é viagem só começa, nunca termina, entranha-se, adquire vida própria e, dentro, viaja.

E, dentro, viaja muito depois de termos chegado. Em reconstruções de agradáveis, surpreendentes e tranquilas memórias.

As viagens somos nós.
A confirmação e reinvenção de nós, em proximidade e diálogo com o mundo na capacidade de ainda nos surpreendermos ou simplesmente contemplar e disso tirar prazer e alegria.
As viagens são sempre a nós, aos nossos confins, aos sítios de nós onde ainda não tínhamos estado. Quanto mais conhecemos do mundo, mais ele se torna maior. E nisso não existe maior grandeza.

A nossa primeira experiência autocaravanista, teve assim o sabor de um cozinhado gourmet em ambientes de natureza só acessíveis a visitantes informais, com o glamour da simpatia e simplicidade, com que o mundo e as suas gentes se nos oferecem, quando estamos preparados para partilhar essa mesa em paz.

Depois daquela conversa com o Sr. Manuel Pombal, a Nazaré passou de imediato a próximo destino. As saudades de casa bateram e a passagem programada pela expo-Saragoça já era,.. abandonado também, muito pelo excessivo calor que lá, por certo se sentiria.
Em regresso acelerado, saimos de Lourdes deixando o nosso abençoado lugar de estacionamento ao segundo autocaravanista português de toda a viajem.
Com uma última pernoita em Palencia, uma paragem no Carrefour de Sevilha para recuerdos, fizémos os últimos kilómetros descobrindo e conjungando a agenda, para possíveis e desejadas rotas noutras saídas imediatas.
Confirmá-mos aos cinquenta as expectativas de agradáveis aventuras sonhadas aos vinte, e aí teimosamente nos mantêmos. A ver vamos até onde o engenho e a sorte nos levará...
Desta feita contamos 23 dias e 4800 km de liberdade, imperdível.

Regressados a casa.

Verão de 2008 em AC


Furada a data prevista para o recebimento da autocaravana, logrou-se o plano de uma viajem até à Escócia. Sem tempo para lhe conhecer as manhas, recebemos a noiva sem o enxoval completo e já depois da hora marcada para o casório.

Depois de atravancada com os tarecos necessários, pegámos nela e fizemo-nos à estrada, com os indispensáveis e os que mais tarde haviam de se revelar importantes esquecimentos.

Recebida a noiva a 03.05.08 partimos no dia 05.08.08 em rodagem para o carro, para o condutor, para a autocaravana e para os autocaravanistas, para os dias que restavam do mês.

Aconselhava a falta de experiência e o bom senso que não nos aventurássemos para além de terras de França. Assim rumámos ao norte, terras da Bretanha, como os autocaravanistas que se prezam e os oiseaus,… ao contrário do sol e das multidões.


05.08.08 – Dia_1 : Nazaré – Palência

Partida de casa pelas 16.00 horas, direcção a Coimbra com paragem na Campilusa, para alguns retoques no véu e grinalda e “catecismos” de última hora.

Interassava ainda que o leitão que ali mora mesmo ao lado tivesse espaço na bagagem até chegada a hora de melhor e mais conveniente arrumação para sossego dos corpos. Inquietação que não tardaria a chegar,… e poucos quilómetros depois, com uma vista “panorâmica” sobre Penela, na talvez única área de repouso do IP3 havia-se de consumar o acto que não foi de gula, só porque isso se torna impossível a todos os que têm o hábito da subnutrição. O tinto bruto da Anadia que ali se perdeu, havia de revelar-se precioso combustível para nos conduzir direitinhos até à famosa AS de Palência, já passava das 03 horas da madrugada.

No aconchego de dois companheiros (para um autocaravanista não há estrangeiros) de que não sei nome nem fisionomia, dormimos o sono dos justos,… para o Pé-de-vento a sua primeira noite na tão desejada casa da árvore.

Simpática a cama, o sossego e a factura.

Palência será uma paragem técnica quase obrigatória para autocaravanista português em trânsito por Espanha,…muito recomendável.




Km = 613.00