Angers / Saumur

19.08.08 - Dia_16


Fazem-se centenas de kilómetros, sem um café, sem um restaurante, sem um bar de beira de estrada,....é chão que já deu uvas por estas bandas.


Foi surpresa, algures uma pequena mercearia gourmet,...afinal de uma jovem simpática portuguesa, que à caixa registadora, não resistiu à língua materna e com a face ruborizada se aventurou na oportunidade (segundo ela rara) de ensaiar o prazer de meia dúzia de palavras que lhe garantem a manutenção do precioso activo.


Angers, é mais uma daquelas agradáveis surpresas que há partida não estavam no roteiro. Um belíssimo exemplo de convivência de um parque urbano moderno, no centro de uma cidade marcada pela monumentalidade histórica. Uma lição de Arquitectura.






















Direcção Saumur, sempre pela margem e com o Loire à vista, fizémos a esperada incursão no mundo dos Trogloditas. A prodigialidade da Natureza no vale do Loire permite fácilmente compreender que nestas paragens, ser troglodita terá sido muito mais uma opção do que uma condição.






Muitas destas cavernas, serviam como residência à pouco mais de 20 anos,...hoje em menos de uma geração, o retorno acontece por novos membros, descendentes da mesma família que agora exploram turisticamente a peculiaridade destes lugares, como restaurantes/ bar,...muito concorridos.






Era noite, quando chegámos ao Castelo de Saumur...








Mas a etapa só terminaria no parque temático de Poitiers,... onde pernoitariamos tranquilamente.





Aproximadamente 120 km de Prazer.

Saint Michel / Fougéres / Rennes

18.08.08 - Dia_15

Saímos de St.Malo ao fim do dia, direcção St. Michel. Em pouco mais de uma hora de viajem, deixámos as terras altas da Bretanha, e entrámos nos campos alagados e aráveis da Normandia. A nossa viajem aproximava-se do ponto de retorno, o Monte de Saint Michel, primeiro cartaz turístico e local mais visitado de França.


Pelo caminho a paisagem é salpicada de singularidades.



Chegádos ao cair da noite, observa-se um intenso movimento de vai-vem, entre os que partem e os que chegam e correm a visitar o local . A quantidade de autocaravanistas sugere-nos um local de perenigração "obrigatório" para aqueles.




As visitas são possíveis ininterruptamente e são muitos os que aproveitam as temperaturas mais frescas da noite para subir ao ponto mais alto, seguimo-los...em boa hora. No dia seguinte o povo seria tanto que a confusão e a incomodidade se instalam.



A capela de St. Michel surpreende pela preservação da autencidade original (rara), que nos transporta de imediato para a época em que foi construída.



O espectácular panorama à noite, é ainda mais surpreendente.




Com a autocaravana estacionada nos jardins da village, onde pernoitámos em boa hora decidimos uma ida e volta a pedal,...mais longe do que parece.


Entre a ida e a volta a maré enche e o que antes era um imenso parqueamento automóvel é agora um charco com meio-metro de água onde se vêm alguns carros submersos, apanhados de surpresa.




A fotografia da praxe.



Todas as posições são válidas.




O Monte Saint Michéle é um postal, não há dúvida.




Fougére, Village de France,...tão verde e emboscada que mais parece um ninho de cucos. Respira-se um clima de tranquilidade e sossego,...parece parada no tempo, para viver plenamente em expressões artisticas mais ou menos individuais, mais ou menos colectivas de que os ensaios na igreja e à volta dela evidenciam.



A Igreja e o coreto em ensaio.



A quietude.



As flôres.



Rennes a capital da Bretanha e ainda que só de passagem descobrem-se cantos e recantos de enorme beleza nesta cidade de trabalho e potencial turístico de enorme qualidade paisagística e urbana.








Despedimo-nos com pena, e a certeza de que Rennes merece mais atenção, o objectivo era ainda ir dormir a Angers.

Afinal, numa belíssima AS, dessas que agora a nova portaria sobre campismo anuncia para portugal,...pequeno parque de estacionamento todo vedado por rede, com portaria mas aquela hora já encerrada. O que não impossibilitou a utilização da zona de manutenção construída no lado exterior e a possibilidade de aí pernoitar num dos lugares de estacionamento reservados aos mais atrasados como nós.






Aproximadamente 255 km

St.Malo

17.08.08 – Dia_14

Deixámo-nos de preocupar com programação de AS´s, elas parecem estar por todo lado, numa concorrente disputa pelos autocaravanistas.
Não é contudo o caso de St.Malo, que a par de La Rochelle são cidades de tamanho médio/grande onde o turismo já é sempre intenso e os muito turistas se sobrepõem às restantes actividades e gentes locais. Aqui a única opção é pelo parque de campismo, moderno e agradável, com vista panorâmica sobre a cidade mas um pouco distante. Temia-se que chovesse no dia seguinte...


Mas o dia inicia-se com um brilho e luz que haviamos perdido nos últimos tempos, o caminho longo mas convidativo a umas boas pedaladas de bicicleta, é sempre uma excelente forma de contemplar a paisagem e fazer algum exercício,...

O centro turístico, e cidade velha entre muralhas, ao longe.


Uma das várias entradas, onde se acomodam à idade e à conversa diferentes gerações de locais que fazem viajem na mirada sobre quem entra e sái.





Dentro o movimento turístico é intenso, o comércio e as expressões musicais espontâneas é-lhes quase todo dedicado.

O ambiente urbano é muito próprio, com edificios com plena ocupação humana, de quatro a cinco pisos, alicerçados em estrutura física e viária centenária, onde o sol dificilmente entra, mas também cá fora rareia..., há dias.

O de hoje até convida a um passeio pela praia.

E aos sabores de um pescado com frits,...o que havia de ser?




St. Malo e La Rochelle assumem estatuto de capitais do turismo de praia nesta costa francesa e justificam plenamente com a sua surpreendente beleza.

KM +- 233

Concarneau e Brest

16.08.08 – Dia_13

As viagens são a alegria absoluta. E são desalento e desespero e imprevisibilidades e cansaço e força que se encontra. E saber que no dia seguinte não sabemos o caminho. E saber que há um recomeço de tudo, de tudo quanto está por ver, por saber, por experimentar, por conhecer. Viagem que é viagem só começa, nunca termina, entranha-se, adquire vida própria e, dentro, viaja. E, dentro, viaja muito depois de termos chegado, recordando.






Recordando Concarneau, temos a certeza de que não esqueceremos nunca mais a Ville Close, não estava no roteiro, não está em roteiros, mas ficará para sempre na memória. Não há fotografias nem palavras que expliquem determinados ambientes,...sentirmo-nos bem é um todo que não se explica.




A Bretanha é um lugar de chuva, intermediada de sol, com um céu sempre carregado de tonalidades que expressam essa ambiguidade. Brest é claramente a expressão mais agreste dessa ambiguidade. Como agreste é a cidade e o seu imenso, cinzento, ferrugento e estivado porto comercial, primeiro de França.


Foi um "regresso" à terra de eleição de emigrantes, num apelo ao trabalho.


Desmontámos ali curiosidades e memórias de conversas escutadas em criança.







Contudo, Brest havia ainda de nos surpreender, quando ao acordar-mos na AS onde pernoitámos descobrimos que estavamos afinal à beira do desejado Oceanário, a visitar, e nas margens prazeirentas de um belissímo estuário dedicado ao lazer.

Visita feita, rumámos a St. Malo.

KM +- 185